O amor cantado numa vida
Há livros que nascem da palavra. Outros, como este, nascem do coração.
De Adolescente para Adolescente não se apresenta como uma simples reunião de poemas, mas como um território íntimo, quase secreto, no qual a alma se expõe sem defesas. Ao folhear estas páginas, não entramos apenas num livro, entramos num tempo, numa idade, numa pulsação. Entramos na juventude viva, ardente, inquieta, em que tudo é sentido pela primeira vez como se fosse eterno.
Entre 1971 e 1979, Fernando Kid escreve como quem acende pequenas fogueiras no escuro. Cada poema é uma chama: breve, intensa, necessária. Neles, arde o amor, esse amor que nasce súbito, cresce desmedido e, tantas vezes, se transforma em ausência, em saudade, em eco. Um amor que não conhece medida nem prudência porque pertence à idade em que sentir é mais forte do que compreender.
Nasci a 18 de maio de 1960 em Moçambique. Em 1965, precisamente no meu dia de anos, disse, pela primeira vez, duas quadras da minha autoria. A partir daí comecei a “criar” várias quadras. Em 1966, um amigo de infância disse-me que era melhor começar a escrever as minhas quadras, pois já eram muitas.
Assim o fiz. O mesmo amigo de infância sugeriu que o fizesse como Fernando Kid, nome pelo qual meus amigos de infância me chamavam. De 1965 a 1970, escrevi mais de 250 quadras como Fernando Kid.
O meu poeta de eleição, desde os 5 anos, era Camões. Eu gostava de ser como ele quando crescesse. A partir de 1970, dediquei-me a escrever sonetos, influenciado pela lírica camoniana. A acompanhar os sonetos, comecei a escrever letras para canções inglesas, americanas, espanholas e italianas que gostava de escutar.
Aos 14 anos, para além de sonetos e letras para canções, comecei a escrever contos, novelas, peças de teatro e operetas. Eu gostava muito de ver filmes musicais, daí tentar escrever musicais. Uso vários nomes para as obras que escrevo. O nome Fernando Kid foi o primeiro a ser usado. Ele é responsável pelas primeiras obras “mais sérias” até os anos 80 do século passado. A par desta “arte” para a escrita, gostava de cantar e fazer teatro.


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